Na semana passada, dia 29/09/2009, foi anunciada a venda de 91% do Buscapé para o grupo de mídia sul-africano Naspers por 342 milhões de dólares. Esse movimento, que pode ser considerado um marco na história da internet brasileira, trouxe grande entusiasmo para o setor. Existem duas razões principais para isso: a primeira é o envolvimento de capital estrangeiro investindo em uma empresa brasileira focada em Web e e-commerce, e a segunda porque o Buscapé foi uma startup criada em 1999 por empreendedores jovens, e que teve uma estratégia consistente de crescimento em seus 10 anos de mercado.
A venda do Buscapé abre portas para mostrar lá fora que o mercado brasileiro está se profissionalizando, e se mostrou capaz de gerar um hit. Isso desmistifica o empreendedorismo no Brasil, e revela que aqui também existe o conceito de “empreendedorismo serial”: o empreendedor não se prender apenas a um negócio, mas ser capaz de gerar produtos inovadores, consolidando a venda desses produtos e se reinventando em novos projetos. A estratégia do Buscapé foi sua consolidação através de diversas aquisições, e o foco na preparação para abrir o capital.
Naspers e apostas no mercado
O grupo Naspers, que possui capital aberto na bolsa sul-africana, não é novo no Brasil. Com 54% de participação da Compera nTime, empresa do setor de telecomunicações e serviços de valor agregado, e 30% do Grupo Abril, tendo investido também na Webco (BlogBlogs, Brasigo), o Naspers afirma ter um bom entendimento do rápido crescimento mercado brasileiro de internet, segundo seu CEO, Hein Brand.
A aquisição do Buscapé, permite a entrada do Naspers no setor de e-commerce, ainda promissor no Brasil e América Latina. Isso acontece principalmente pelo fato de o Buscapé ter braços na Argentina, Chile, México, Colômbia e mais 28 países, e possuir uma plataforma diversificada no setor, com negócios de pagamentos, pesquisa de mercado e classificados online.
Buscapé e o e-commerce no Brasil
O Buscapé hoje é o principal mecanismo de pesquisa comparativa de preços da América Latina. A aquisição do Bondfaro e QueBarato agrega valor ao grupo, abrangendo toda a cadeia de valor do e-commerce com classificados online, além de um meio de pagamentos próprio, o Pagamento Digital. Tudo isso ajuda a justificar o alto valuation da empresa.
Enquanto o e-commerce hoje se concentra nas grandes Submarino e Americanas, ambas do grupo B2W e aproximadamente 60% do mercado brasileiro, o Naspers aposta na expansão desse setor, abrindo espaço para novos players à medida que o brasileiro dá maior credibilidade ao comérico eletrônico e a gestão de riscos e fraudes é consolidada no país. Romero Rodrigues, fundador e CEO do Buscapé, vê grande interação com a Allegro, investida do Naspers e líder de mercado na Europa Oriental, o que permite a integração com sua plataforma de e-commerce, leilões, comparativo de preços e classificados, além da plataforma de pagamentos, cujo mercado na América Latina ainda é retraído e prevê grande expansão.
As projeções de crescimento do e-commerce para 2010 são grandes, atingindo em 2009 a marca de R$ 10,5 bilhões no Brasil. O Buscapé é responsável por grande parte dessas transações, recebendo comissão em cada transação efetuada pela sua plataforma. Com o aumento do ticket – o valor médio das compras online – que segundo a Associação Comercial de São Paulo chega a R$ 323 e pode atingir R$ 346, o Buscapé se favorece de tais perspectivas, ainda mais pelo aumento de mais 4 milhões de compradores online até o fim do ano.
A venda do Buscapé comprova o grau de investimento a que o Brasil foi elevado recentemente pela agência Moody’s e anteriormente pela Fitch e S&P. Isso pode ser extrapolado principalmente para o setor de tecnologia, o que garante um retorno mais rápido para investimentos: o custo de startup é muito baixo, há um grande potencial de crescimento do mercado e novos negócios surgem com a capacidade de internacionalização.
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06 outubro 2009 à 7:49 pm
Esta grande “Saída” marca um ótimo momento para todos aqueles que pretendem entrar neste mercado. O Buscapé com certeza vai ser uma grande inspiração para esta nova geração de empreendedores da Web.
06 outubro 2009 à 9:04 pm
Espero que o Romero e seus sócios tornem-se VCs em breve! Uma nova geração de investidores, que passaram pela experiência completa de criar, crescer e vender uma start-up de web, dará um excelente fôlego ao mercado.
07 outubro 2009 à 12:54 am
Boa Gian! Isso é bem comum no mercado americano, mas nunca vi exemplo assim por aqui? Conhecem algum?
07 outubro 2009 à 12:17 pm
Existem empreendedores que entraram no mercado de VC a partir das saídas que conseguiram, como o ADMR Group (Takenet/Confrapar).
Mas esse número é ainda muito pequeno, o que prejudica o mercado, já que a análise de ex-empreendedores (se é que podemos considerá-los assim) em investimentos desse tipo enriquece bastante, principalmente na análise de equipe e modelo de negócios.
07 outubro 2009 à 3:56 pm
Boa Bilman! Ótima dica. Sabendo de mais casos parecidos, conte por aqui!
08 outubro 2009 à 8:23 pm
Só agora estou começando a absorver a ideia de uma empresa brasileira como o Buscapé valer tanto (e lucrar tanto).
Fico feliz com esse marco para a internet brasileira. É só o começo.
É hora de arregaçar as mangas e trabalhar.