Este post faz parte da série “BrasilStart” em que iremos mapear os diversos mercados na web brasileira para identificar as startups que atuam em cada segmento e possíveis oportunidades de maneira contextualizada. Assine nosso Feed RSS para acompanhar semanalmente ou nos siga no Twitter.
Recentemente, a popular ferramenta de gestão de finanças pessoais, o Mint, anunciou sua venda para o Grupo Intuit, por 170 milhões de dólares.
Aaron Patzer, o CEO da startup viu a oportunidade de entrar neste mercado em 2006.
Em 2007 o serviço já estava no ar, seguindo para a liderança do mercado e desbancando seus concorrentes online e clientes de controle financeiro pessoal no desktop, como o Quicken e o MS Money.
O Mint.com ficou conhecido por ser uma ferramenta simples, sem necessidade de instalação e sem excesso de funcionalidades, diferente da concorrência. Sua primorosa integração com os diversos bancos do mercado americano conseguiu ser um trunfo de usabilidade que desbancou todos os concorrentes e garantiu sua liderança. Veja mais sobre nossa análise do fenômeno Mint aqui.
No Brasil o mercado de finanças pessoais e educação financeira segue crescendo. Este mercado é hoje um dos mais concorridos e temos diversos players lutando para se consolidar. Hoje o uso de internet Banking cresce cerca de 20% ao ano no Brasil, porém o uso das ferramentas de gestão de finanças pessoais ainda não acompanha esta tendência.
Veja abaixo algumas informações sobre a penetração de internet banking por faixa de renda.
Ranking de acesso a internet banking por renda
Até R$ 800 – 13,4 %
De R$ 800 a R$ 1.500 – 27%
De R$ 1.500 a R$ 3.000 – 27,6%
De R$ 3.000 a R$ 5.000 – 17,4%
De R$ 5.000 a R$ 8.000 – 9%
Acima de 8.000 – 5,6%
Acreditamos que o tamanho do mercado de usuários de internet banking restringe o tamanho do mercado de gerenciadores de finanças online, o que significa que nosso mercado ainda é bastante imaturo. A boa notícia é que o crescimento do mercado é rápido e cada vez mais acelerado, ou seja quando o mercado estiver mais maduro vamos ter várias opções de empresas oferecendo este tipo de serviço por aqui e esta concorrência é muito favorável para os usuários.
Conheça quem são as empresas que disputam este espaço no mercado brasileiro:
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Manubia – O Manubia é um dos mais novos players do segmento, e observando o visual da logomarca e o tema do site dá para perceber que eles têm forte inspiração no Mint. O serviço foi lançado em Agosto de 2009 e já conta com mais de 3.000 usuários cadastrados. O sistema conta com todos os recursos básicos de gestão de finanças pessoais, como “adição de múltiplas contas bancárias, categorização de gastos, controle de transações e importação de dados do MS Money e CSV”. O diferencial do Manubia é seu sistema de relatórios, com diversos gráficos e facilidade de segmentação por categoria de gastos. O modelo de negócios do Manubia é baseado em versão grátis com menos recursos e uma versão premium, mais completa e paga (sem valores divulgados).
Spesa – O Spesa, curiosamente, foi lançado aqui no Brasil antes que mesmo de o Mint ser lançado nos Estados Unidos. O serviço foi ao ar em janeiro de 2007, motivado pela frustração do seu criador, Nando Vieira com suas planilhas financeiras. Atualmente, o Spesa já conta com mais de 18.000 cadastros. Aparentemente ainda não há um modelo de negócios claro – apesar de o site já veicular anúncios e programas de afiliados, que segundo Nando ainda “Não custeiam nem a hospedagem”.
O serviço segue sendo desenvolvido como projeto paralelo do empreendedor, que atualmente trabalha em uma nova versão com vários novos recursos. Dentre os diferenciais da aplicação, encontram-se a extensão de firefox e o widget para MacOS X, que ajudam as pessoas a acompanhar suas transações no dia a dia.
Organizze – O serviço, assim como o Manubia, é um dos mais novos no mercado, com apenas 3 meses no ar. Já conta com aproximadamente 3.000 usuários e também vem sendo desenvolvido devido à frustração de seus sócios com as demais ferramentas do mercado. Dentre os serviços analisados, é o que possui a interface mais amigável. O conjunto de recursos também parece ir por um caminho diferente dos demais, oferecendo além dos recursos básicos de controle de transações, uma agenda de compromissos e opções em destaque para convidar amigos e enviar sugestões. O serviço segue negociando parcerias com bancos no Brasil e quer ser o primeiro a oferecer este tipo de integração, como o Mint faz no mercado americano.
GBolso – O serviço teve início em 2007, quando um dos empreendedores, Marcel Figueiredo, teve problemas com o Microsoft Money no controle de seu orçamento pessoal. O Gbolso foi lançado em março de 2008, já conta com mais de 36.000 usuários e gerencia mais de R$ 550 milhões, o que o consolida como líder da categoria no Brasil. Segundo Marcel, o próximo objetivo é avançar para o mercado português.
O Gbolso é o único dos players que possui aplicativo para Orkut (Opensocial), e estuda iniciar sua atuação também em outras plataformas de redes sociais. Outro diferencial é a autenticação com contas de terceiros, permitindo que usuários de Microsoft Live, Google ou Yahoo! possam entrar no serviço sem se cadastrar. O modelo de negócio é freemium e a versão grátis possui vários recursos não disponíveis, que só são liberados para as versões pagas a partir de R$ 9,90/mês.
Oportunidades à Vista
Analisando o caso do Mint, pode-se notar claramente alguns conceitos que foram importantes para o sucesso do produto com o público e que ainda não foram incorporados pelos players brasileiros:
- Integração e automação: Graças a sua integração com todos os principais bancos do mercado americano, o uso do serviço é altamente facilitado. Os lançamentos ocorrem automaticamente e com apenas alguns poucos minutos semanais é possível manter as contas organizadas. Nenhum dos serviços do Brasil oferece este tipo de integração e acreditamos que o primeiro que conseguir fechar este tipo de parceria com os bancos por aqui vai conseguir um crescimento acelerado, reduzindo muito a curva de adoção.
- Modelo de negócios diferenciado: O Mint oferece serviços pagos de aconselhamento que ajudam os seus usuários a economizar. A empresa lucra também com os seus usuários da versão gratuita, ao avaliar investimentos que podem estar tendo um baixo retorno e aconselhando-os a migrar para um investimento com um retorno melhor e recebendo uma comissão para cada conversão efetuada.
- Integração contextual com Publicidade: O Mint analisa as transações do usuário e cruza com informações de seus anunciantes, oferecendo ofertas customizadas para cada usuário. Se a Mint perceber que seu cartão de crédito cobra taxas maiores que algum dos produtos dos seus anunciantes, o sistema sugere que você mude e informa de quanto seria sua economia, um modelo muito mais eficaz e com uma taxa de conversão muito mais alta que publicidade tradicional baseada em banners.
Esperamos em breve ver algumas destas estratégias sendo adotadas nos produtos brasileiros. O sucesso do Mint se deu por ele ser uma ferramenta que além de ajudar a monitorar os gastos, também permite que as pessoas encontrem alternativas para economizarem e fazerem melhores investimentos. Nosso mercado ainda está focado apenas em monitoramento passivo de transações financeiras.
Desafios Locais
Conversamos com vários empreendedores foram levantados alguns pontos bem interessantes sobre o mercado local:
Segundo Marcel, do Gbolso, “O Brasileiro não conheceu estabilidade monetária até 1994 com o plano real e isso ocasiona um alto o número de pessoas endividadas, aumentando a necessidade de controlar as finanças pessoais com mais efetividade”.
Felipe Nascimento, do Manubia, acredita que conjuntura favorável da economia e o aumento do crédito podem causar descontrole financeiro, o que também gera uma grande necessidade de controle financeiro. “Nosso mercado está amadurecendo, mas ainda temos um grande caminho até chegar ao nível de maturidade do mercado americano.”, conclui ele.
E você, conhece algum serviço que não mencionamos aqui? Usa algum dos serviços analisados? Deixe sua resposta nos comentários!
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